ACIF reivindica medidas para a hotelaria e turismo no valor de 230 milhões de euros

A ACIF traçou, na manhã desta quinta-feira um cenário extremamente ‘negro’ do setor da hotelaria na Madeira, reclamando participação ativa na revisão do Plano de Recuperação e Resiliência, antes do documento seguir para Bruxelas. Em conferência...

ACIF reivindica medidas para a hotelaria e turismo no valor de 230 milhões de euros
A ACIF traçou, na manhã desta quinta-feira um cenário extremamente ‘negro’ do setor da hotelaria na Madeira, reclamando participação ativa na revisão do Plano de Recuperação e Resiliência, antes do documento seguir para Bruxelas. Em conferência de imprensa o presidente Veiga França e o vice-presidente António Jardim Fernandes fizeram a apresentação pública de um documento, dando conta das suas reivindicações para o setor. No global, a ACIF defende a afetação de medidas no valor de 230 milhões de euros, apresentando também em que medidas de reajustes esse valor possa ser conseguida, com reduções em diversas áreas previstas no documento original, sem que, contudo, os seus objetivos sejam colocados em causa. Advoga sim, um envolvimento dos privados nessas mesmas matérias. O atual cenário é de facto extremamente complicado para o sector, sendo que um recente inquérito requerido pela ACIF, numa amostra de 56% da capacidade hoteleira da região, representativa de 16.616 camas e uma empregabilidade de 3.362 pessoas, diz claramente que 76% não tem capacidade para suportar a reabertura gradual da atividade sem ajudas adicionais. Numa altura em que este setor apresenta 89% do seu tecido em atividade residual ou mesmo sem atividade, 48% afirma que não tem capacidades para aguentar para além deste mês de março, 22% terá capacidade para aguentar apenas mais dois meses e 17% exaltou que em quatro meses se esgotam as reservas. Ou seja, 70% necessita de ajudas imediatas apontando para um prazo máximo de dois meses em que se irão esgotar as capacidades de suportar responsabilidades e salários. Tudo isto reflexo de uma crise sem precedentes durante 2020, com 89% a declarar quebras de vendas entre os 60% e os 100% e os restantes 11% quebras até 60%. Números muito idênticos, de resto, aquilo que perspetivam para este ano de 2021. O documento em causa está já na posse do Governo regional, com Veiga França a registar com agrado a abertura para a criação de um grupo de trabalho, resultante de uma reunião mantida com Pedro Calado na passada segunda-feira, em que possam ser concertadas medidas para um setor tão vital como este. O presidente da ACIF relevou que 2020 trouxe apenas um terço das dormidas comparativas com 2019, num total de 2,7 milhões, sendo este o valor mais baixo desde há 35 anos e que essa população flutuante, na ordem das 30.000 pessoas, é decisiva para toda a economia regional funcionar. E atesta esta leitura com o recuo do PIB para números vividos em 2005, com uma perda de riqueza em 2020 na ordem dos 26%. Mais, em dezembro o número de desempregados era já de cerca de 10%, com um amento de 2,1%, estimando que este primeiro trimestre de 2021 vá fechar com mais 20.000 desempregados.