Covid-19: Serviço de TVDE em recuperação depois de "grandes quebras"

Os operadores de plataformas TVDE, transporte individual e remunerado de passageiros em veículo descaracterizado, sofreram grandes quebras de serviço com a pandemia de covid-19, encontrando-se atualmente em fase de recuperação. Numa ronda pelas...

Covid-19: Serviço de TVDE em recuperação depois de
Os operadores de plataformas TVDE, transporte individual e remunerado de passageiros em veículo descaracterizado, sofreram grandes quebras de serviço com a pandemia de covid-19, encontrando-se atualmente em fase de recuperação. Numa ronda pelas três operadoras atualmente a trabalhar em Portugal – Bolt, Uber e Free Now -, todas referiram que durante o confinamento e sensivelmente até junho houve um “forte bloqueio à mobilidade nas cidades”, pelo que houve uma queda significativa nos serviços prestados. “Sentimos uma queda enorme ao nível do negócio, a rondar os 90%. Contudo, em junho começámos a recuperar rapidamente e, neste momento, estamos já com a operação a decorrer a níveis acima do que estava a acontecer em fevereiro”, disse o responsável da Bolt em Portugal, David Ferreira da Silva. Apesar de a plataforma ter sofrido inicialmente uma “redução significativa do número de motoristas”, recuperou o número de profissionais associados que tinha ativos em fevereiro: “O que é um sinal muito positivo de que as coisas estão de facto a melhorar”, afirmou. Também no número de operadores (empresas, que podem corresponder a um ou a vários motoristas) não foi sentida uma “diminuição significativa”. Embora sem avançar com números de viagens, o responsável da Bolt referiu que estes já são “semelhantes” aos de antes da pandemia. Já tendo em conta a recuperação, David Ferreira da Silva explicou que as tendências “têm sido semelhantes em todo o país, exceto no Algarve”, que nesta altura “está fortemente dependente do turismo e das atividades noturnas”. Também a Uber, a primeira operadora de transporte individual a partir de plataforma eletrónica a operar em Portugal, referiu que com o “gradual desconfinamento do país tem havido uma recuperação”. “A mobilidade tem uma grande correlação com o dinamismo económico do país e, infelizmente, ainda estamos a atravessar uma crise pronunciada. No entanto, sentimos que muitos portugueses estão a olhar para o TVDE como uma alternativa segura para se deslocarem e uma alternativa ao transporte individual”, sublinhou o diretor-geral da Uber em Portugal, Manuel Pina. Reconhecendo que o serviço prestado pela plataforma tem “naturalmente maior adesão nas zonas urbanas”, Manuel Pina lembrou que após a expansão dos serviços para todo o território nacional em julho “já foram realizadas viagens TVDE em 17 dos 18 distritos” do continente português. Em relação ao número de viagens realizadas antes da pandemia e depois do confinamento, o responsável referiu que a operadora (também com serviço de distribuição de comida) “não comenta o impacto da covid-19 no negócio em nenhum mercado em específico”. A nível global, acrescentou, “o impacto foi de 73% no negócio equivalente ao TVDE”. Em junho deste ano surgiu a plataforma de mobilidade Free Now, criada a partir da MyTaxi (serviço de transporte em táxis através de uma aplicação de telemóvel) e que integra também os TVDE da Kapten (marca que começou a sua atividade em Portugal como Chauffer Privé). À Lusa, o diretor-geral da Free Now para Portugal, Sérgio Pereira, reconheceu que a operadora teve “uma razoável apresentação ao mercado”, ainda que, “naturalmente, abaixo do que era expectável”, devido à covid-19. Para essa razoabilidade, considerou, contribuíram “a herança e o ‘know-how’ do mercado” que vieram de ambas as marcas que compõem agora a Free Now. De acordo com Sérgio Pereira, em geral, a queda do número de viagens na plataforma foi “sensivelmente de 70% no pico da pandemia e atualmente de menos 30% em comparação com 2019”. “Em média estamos com menos 50% no segundo e terceiro trimestre de 2020 comparativamente com o ano passado”, exemplificou. Pelo facto de ser uma aplicação que junta táxis e TVDE, Sérgio Pereira reconhece ser “expectável que quanto maior for a oferta mais facilmente chega a um número mais elevado de clientes e, ao ser mais completa, mais apelativa será”. “Temos clientes que preferem TVDE e outros que continuam a preferir o táxi. A Free Now, enquanto plataforma que reúne vários tipos de serviços na mesma aplicação, tem um espetro de atuação mais amplo”, sublinhou. António Fernandes, do Sindicato Motoristas TVDE de Portugal, referiu que o setor está a assistir a uma recuperação que “é mais lenta numas zonas e noutras mais rápida”. “A atividade económica não está como antes da pandemia, as nossas faturações ainda não chegam lá. Em Lisboa, por exemplo, está a ser mais fácil recuperar do que no Algarve, que entrou agora em época baixa, estão com mais dificuldades em recuperar”, adiantou. Reconhecendo que “uma grande maioria parou durante a pandemia”, António Fernandes avançou que alguns motoristas “acabaram mesmo por abandonar e não estão em atividade”, enquanto outros conseguiram “aguentar-se com o apoio que o Estado disponibilizou”. De acordo com o Instituto da Mobilidade e dos Transportes, encontram-se licenciados 10 operadores de plataformas de TVDE, o que não implica que estejam todos em atividade. Segundo os dados até 30 de setembro deste ano, estavam igualmente licenciados 8.021 operadores de TVDE e certificados 26.971 motoristas.