Envelhecer “não é sinónimo de má qualidade de vida”

Ginástica, ioga, informática, teatro, inglês e até literatura portuguesa são apenas algumas das atividades que os participantes seniores da Associação de Socorros Mútuos “4 de setembro 1862” realizam todas as semanas. Para estes utentes, o...

Envelhecer “não é sinónimo de má qualidade de vida”
Ginástica, ioga, informática, teatro, inglês e até literatura portuguesa são apenas algumas das atividades que os participantes seniores da Associação de Socorros Mútuos “4 de setembro 1862” realizam todas as semanas. Para estes utentes, o clichê de que a idade é apenas um número encaixa que nem uma luva e esta instituição está cá para garantir que assim o é. Reconhecendo que é cada vez maior a esperança média de vida e a antecipação da idade da reforma, Sofia Andrade, técnica superior de Educação Social, compreendeu a necessidade de desenvolver atividades lúdicas, socioculturais e recreativas destinadas aos mais velhos, que combatessem a solidão e contribuíssem para a manutenção e melhoria do seu bem-estar físico, emocional e cognitivo. Foi assim que a partir de 2016 a Associação de Socorros Mútuos “4 de setembro 1862”, focada na assistência médica, deu asas a um novo projeto de animação sociocultural, destinado a pessoas com idade igual ou superior a 50 anos. Quando o projeto arrancou eram apenas cerca de 20 os participantes. Hoje, são já aproximadamente 50 os utentes envolvidos nestas atividades, que se deslocam, no mínimo, 2 a 3 vezes por semana à associação. Aos olhos da coordenadora, “é uma mais valia trabalhar com este tipo de população, com histórias de vida tão únicas, especiais e, por vezes, complexas”. Sofia é responsável pelas aulas de ginástica e de informática e para as restantes disciplinas conta com parcerias com entidades especializadas e até com alguns utentes, como é o caso da aula de Inglês lecionada por uma das associadas. No entanto, a atual situação pandémica obrigou a adaptações, cancelando muitos dos passeios e atividades programadas. De acordo com Sofia Andrade, o período de confinamento obrigatório foi especialmente desafiante para estes utentes. “Acho que a maior das faltas notadas foi, de facto, a atividade física e o simples facto de puderem sair à rua, falar e conviver com as pessoas. Eles sentem muita necessidade de conservar e conviver, sobretudo os que vivem sós”, explicou, acrescentando que a associação foi uma boa oportunidade para estas pessoas criarem novas amizades. A alternativa que a responsável arranjou foi a realização das aulas de informática através de diretos no Facebook ou do Zoom. “Muitos têm acesso ao telemóvel, computador ou ao tablet, mas existe casos que não e esses são os mais complicados. Então, para além de continuar a dar as aulas, também estabelecia contactos telefónicos com os utentes. Perguntava se estava tudo bem e como é que estavam a lidar com esta situação, de forma a manter alguma proximidade”, contou. Atualmente, as aulas já são realizadas presencialmente, garantindo o cumprimento de todas as medidas de segurança, através da limitação do número de alunos por atividade, da distância de segurança, da desinfeção dos espaços e da planificação dos horários, de modo a evitar o cruzamento entre grupos. Também já foram retomados alguns dos passeios e, em outubro, a associação conseguiu realizar uma viagem ao Porto Santo, com 26 membros. Já para o Natal, face à impossibilidade de realizar o habitual convívio com animação e as iguarias típicas da Região, esta associação optou por organizar, pela primeira vez, uma campanha de recolha bens alimentares e produtos de higiene para apoiar uma instituição de crianças institucionalizadas com necessidades especiais, à qual os seniores aderiram bastante. O que é certo é que para esta associação, “o envelhecimento nunca deverá ser sinónimo de má qualidade de vida, de sentimentos de tristeza ou de inutilidade”, sendo antes o processo natural da vida, que é possível experienciar de “forma saudável, com qualidade”. A Associação de Socorros Mútuos “4 de setembro 1862” está localizada no Funchal, na Rua João Tavira nº59, e a inscrição nestas atividades tem o custo mensal de 5 euros, para os sócios, e de 10 euros, para os não-sócios.