Fadista luso-americana diz que nova geração está a dar mais valor ao fado e às tradições

A fadista luso-americana Marisa Silva Rocha, que lançou o seu primeiro vídeo de música com uma versão do fado “Alfama”, diz que há uma nova geração a querer envolver-se na música e tradições portuguesas. “Vejo uma mistura de pessoas novas,...

Fadista luso-americana diz que nova geração está a dar mais valor ao fado e às tradições
A fadista luso-americana Marisa Silva Rocha, que lançou o seu primeiro vídeo de música com uma versão do fado “Alfama”, diz que há uma nova geração a querer envolver-se na música e tradições portuguesas. “Vejo uma mistura de pessoas novas, que estão a dar mais valor ao fado e às tradições”, disse à Lusa a fadista lusodescendente, natural de São José, Califórnia. “Estou a ver que as pessoas querem realmente ter essa conexão, querem saber mais sobre si próprias e irem mais fundo”, acrescentou.  O vídeo “Alfama”, explicou, foi filmado em São José como forma de homenagear uma das cidades com maior histórico de emigrantes portugueses na Califórnia.  “Queria mostrar a todos que a minha Alfama é Little Portugal. Queria fazer a ligação do fado tradicional aos dias modernos”, afirmou a artista, de 31 anos. “Estou a tentar conectar as duas coisas e dar uma imagem integral”.  Filha de um emigrante natural de Viseu, Marisa Silva Rocha aprendeu a falar português com o pai, a avó materna e na escola em São José. “Digo sempre que sou uma fadista luso-americana. Sou diferente, tenho orgulho em ser portuguesa e americana”, descreveu. “Quero mostrar às pessoas que está ok se tiver sotaque, se não disser as palavras corretamente”.  Com concerto marcado para o Festival Português do Vale de São Joaquim, que vai acontecer em Turlock em 28 e 29 de agosto, Marisa Silva Rocha frisou que são necessários mais músicos para expandir o fado de sabor californiano.  “A guitarra portuguesa é um instrumento que não temos muitas pessoas que sabem tocar nesta área”, frisou. “Precisamos de mais músicos que saibam tocar guitarra portuguesa e não só, também viola da terra, que é um instrumento tradicional da nossa cultura”, vincou.  Além de ser necessário ter mais guitarristas a ensinar a tocar, a artista considerou que será importante estimular os mais jovens que gostam de instrumentos a experimentarem guitarra portuguesa.  “Penso que vai haver mais música e participantes, mas vai demorar alguns aninhos. Talvez em 10 ou 20 anos possamos ver mais músicos e mais fado”, disse. O momento atual, no rescaldo da pandemia de covid-19, parece propício para dar impulso a esta e outras tradições da cultura portuguesa e luso-americana.  “Temos uma nova geração de pessoas que querem envolver-se mais na nossa comunidade, seja no fado, nos grupos folclóricos ou danças de carnaval”, sublinhou a fadista. “Vejo que as pessoas têm saudades disso e querem fazer a sua parte”. Foi nesse contexto que Marisa Silva Rocha lançou em janeiro com a PAMA Media um programa de rádio semanal, “AmáConversa”, onde fala com personalidades da cultura portuguesa e toca não apenas fados, mas também música portuguesa contemporânea.  “Vejo que as nossas pessoas na Califórnia e Estados Unidos não sabem muita coisa de Portugal que está a acontecer agora. Sabem as músicas de antigamente, mas não sabem o que os portugueses estão a ouvir agora”, explicou a artista.  “Estou a tentar mostrar às pessoas o que a nossa terra tem. Em muitas coisas Portugal está mais à frente que a América”, considerou. “Estou a tentar fazer uma ligação maior entre a comunidade aqui e a comunidade lá”.  A preparar um segundo single até ao final do ano, Marisa Silva Rocha pretende gravar um álbum com fados tradicionais e alguns fados originais, que serão escritos por Falicia Arruda, com quem está a trabalhar. “A minha meta não é só cantar para a comunidade”, partilhou. "Quero cantar para Portugal e outros países”, concluiu.