Inquérito indica que 'stress' familiar recai desproporcionalmente nas mulheres

O ‘stress’ familiar durante a pandemia de covid-19 recai desproporcionalmente nas mulheres, concluiu um inquérito internacional realizado junto de 12 mil pessoas de 130 países, que em Portugal teve como parceiro o Instituto de Investigação...

Inquérito indica que 'stress' familiar recai desproporcionalmente nas mulheres
O ‘stress’ familiar durante a pandemia de covid-19 recai desproporcionalmente nas mulheres, concluiu um inquérito internacional realizado junto de 12 mil pessoas de 130 países, que em Portugal teve como parceiro o Instituto de Investigação e Inovação em Saúde. Em comunicado, o instituto da Universidade do Porto explica hoje que o inquérito, denominado ‘Life with Corona’ e lançado há cerca de seis meses, surgiu com o intuito de “avaliar as implicações da pandemia na vida diária das pessoas em todo o mundo”. O inquérito, coordenado por investigadores do ISDC – Centro de Segurança e Desenvolvimento Internacional, do Instituto Mundial de Investigação em Economia do Desenvolvimento da Universidade das Nações Unidas (UNU-WIDER), do Instituto Leibniz de Culturas Vegetais e Ornamentais (IGX) e do Instituto de Estudos de Desenvolvimento (IDS), recolheu dados de 12 mil pessoas, de mais 130 países que revelam “diferenças culturais e geracionais”. Entre as principais conclusões, o inquérito destaca que o ‘stress’ familiar durante a pandemia recai, de forma desproporcional, nas mulheres que moram com mais do que uma pessoa. “O relatório feminino indica níveis substancialmente mais elevados de tensão domiciliar do que o masculino, independentemente do tamanho da família, o que sugere que a pandemia pode perpetuar disparidades de género”, indicam os especialistas. Paralelamente, o inquérito indica que os idosos, ainda que considerados de risco, “estão menos preocupados com as circunstâncias atuais” da covid-19 do que as pessoas mais jovens. “Isso ressalta que os desequilíbrios geracionais dos impactos da pandemia podem ser fortes e que os aspetos culturais, emocionais e socioeconómicos da pandemia podem ser tão importantes quanto o aspeto da saúde”, lê-se nas conclusões. ‘Life with Corona’ concluiu ainda que os jovens adultos realizam “ativamente muitos comportamentos” para combater a pandemia, que os americanos querem ter prioridade no acesso a uma vacina e que os mais jovens estão mais dispostos a pagar para impedir a propagação da doença do que as pessoas mais velhas. Citado no comunicado, Tilman Bruck, do ISDC – Centro de Segurança e Desenvolvimento Internacional afirma que a covid-19 “não se trata apenas de uma pandemia médica”, mas sim de “uma pandemia social”. “O coronavírus mudou a vida e a subsistência de milhares de milhões de pessoas em todo o mundo, com uma velocidade e força sem precedentes”, salienta o economista alemão especializado em desenvolvimento e economia da paz, conflito e terrorismo. Também Wolfgang Stojetz, responsável pela análise de dados do inquérito, salienta que o intuito do ‘Life with Corona’ é “documentar as mudanças em tempo real”. “Mesmo que derrotemos o vírus em breve, o seu legado moldará as nossas sociedades durante muito tempo”, observa o investigador do ISDC – Centro Internacional de Segurança e Desenvolvimento. Por existirem ainda “muitas implicações a apurar”, no dia 01 de outubro foi lançada a segunda fase do inquérito, que pretende “obter dados mais globais sobre o impacto da covid-19 a nível social e económico”, explica o Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S).