Mais de metade dos portugueses diz que a crise não passou

A crise marcou os portugueses, que acham que ela ainda não passou e mantiveram alguns hábitos como uma maior contenção e ponderação nas compras, revela um estudo hoje divulgado. O II Grande Inquérito de Sustentabilidade, revela que, apesar...

Mais de metade dos portugueses diz que a crise não passou
A crise marcou os portugueses, que acham que ela ainda não passou e mantiveram alguns hábitos como uma maior contenção e ponderação nas compras, revela um estudo hoje divulgado. O II Grande Inquérito de Sustentabilidade, revela que, apesar dos portugueses se identificarem com todas as orientações de consumo que lhes foram apresentadas, sobressai o perfil do “consumidor constrangido”, que tenta não chegar ao fim do mês sem dinheiro, a par do “consumidor suficiência”, que opta por escolhas conscientes e mais ponderadas e não compra o que realmente não lhe faz falta. “A importância atribuída aos dois perfis revela que os portugueses continuam a dar peso à gestão cuidada do seu orçamento familiar, contendo despesas (particularmente na dimensão de gerir o orçamento para que não falte dinheiro)”, revela o estudo, uma iniciativa da Missão Continente (Grupo Sonae) e do Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade de Lisboa. Estas atitudes perante o consumo são consonantes com as preocupações manifestadas neste estudo pelos portugueses, que acham que a crise ainda não passou e têm como principal preocupação o desemprego. Os dois perfis que se seguem, também muito valorizados, são aqueles que surgem associados ao perfil do “prosumidor” (capacidade de construir ou reparar os produtos que utiliza), e do “consumidor ético” (dar relevo ao impacto das suas práticas de consumo no mundo que o rodeia). Segue-se o “consumidor escolha”, que valoriza a diversidade de opções de consumo, o “consumidor explorador”, que valoriza a novidade no consumo, o “consumidor comunicação”, que valoriza o consumo enquanto representação do seu estilo de vida e, por fim, aquele que tem menor destaque, o “consumidor hedonista”, que valoriza o consumo enquanto fonte de prazer. “De certa forma, estes perfis podem estar alinhados com os do ‘constrangido’ e do ’suficiente’”, afirmam os autores, explicando: “uma das práticas de contenção de despesas que ganhou maior expressão no pico da crise económica foi a procura de produtos em promoção e lojas de descontos, ou visitar espaços de vendas ou trocas de produtos em segunda mão. Essa busca pode desencadear algumas das características do ‘consumidor explorador’, nomeadamente a curiosidade, a aventura, a exploração por espaços novos que não se visitavam antes”. Os investigadores do ICS consideram ainda que estes cinco perfis de consumo “parecem estar coerentemente alinhados num eixo de dualidade pós-crise nas orientações de consumo, já detetado no anterior inquérito”. “Por um lado, uma busca pela poupança face a recursos económicos escassos, por outro, a emergência de uma forma diferente de olhar o consumo mais atenta às implicações éticas e à necessidade de reduzir consumos excessivos e desperdícios”, explicam. O estudo analisou 1.600 inquéritos a residentes em Portugal, maiores de 18 anos, estratificado por região, género e idade e tem 95% de intervalo de confiança. Decorreu entre 07 de novembro e 13 de dezembro de 2018.