Vereador do CDS questiona autarquia sobre muros de pneus em Câmara de Lobos

O vereador do CDS-PP, em Câmara de Lobos, quer saber o que é que a Câmara Municipal está a fazer no sentido de acabar com os muros de pneus nos terrenos agrícolas do Estreito de Câmara de Lobos e lembra que há apoios financeiros que podem ser...

Vereador do CDS questiona autarquia sobre muros de pneus em Câmara de Lobos
O vereador do CDS-PP, em Câmara de Lobos, quer saber o que é que a Câmara Municipal está a fazer no sentido de acabar com os muros de pneus nos terrenos agrícolas do Estreito de Câmara de Lobos e lembra que há apoios financeiros que podem ser utilizados pelos agricultores para a manutenção e construção dos muros tradicionais. Amílcar Figueira entregou hoje um requerimento com um pedido de esclarecimentos sobre as diligências que a autarquia “tenha providenciado para pôr cobro ao atentado à paisagem humanizada do Estreito de Câmara de Lobos provocado pelo amuralhar com pneus agrícolas”. Considerando a paisagem o principal recurso da Região “depois das pessoas”, o autarca diz que a paisagem humanizada “é uma obra de várias gerações de madeirenses” que “encontra expressão cultural e etnográfica nos poios e muros de pedra” que caracterizam o concelho de Câmara de Lobos”. “É nosso dever coletivo preservar a imagem da nossa paisagem humanizada. Essa responsabilidade é ainda maior para o Governo Regional e a Câmara Municipal, entidades que devem reunir esforços para manter a nossa paisagem intacta, pois é isso que diferencia o destino Madeira e seduz quem nos visita”, defende Amílcar Figueira. O vereador diz que tem assistido com “alguma incredulidade” à construção, um pouco por todo o concelho, de “autênticas muralhas com materiais não tradicionais, nomeadamente pneus”. Para além de os considerar “um atentado à paisagem”, o autarca diz que “nalguns locais, não sustêm os terrenos”, pelo que não os considera uma garantia da “segurança de pessoas e bens”. Amílcar Figueira refere no mesmo documento que há autarquias que se orientam por um código de condutas “que na prática pretende salvaguardar um desenvolvimento harmonioso dos concelhos, proibindo práticas e/ou utilização de materiais que distorcem a paisagem”. Lembrando que o CDS-PP já alertou o executivo camarário, liderado pelo social-democrata Pedro Coelho, para estas muralhas de pneus que têm vindo a proliferar pelo concelho, o autarca quer saber o que é que tem sido feito em termos de sensibilização e de fiscalização por forma a evitarem a utilização dos referidos materiais. O autarca centrista recorda que existem apoios financeiros para projetos agrícolas “que complementam a construção e manutenção dos muros agrícolas com materiais tradicionais, nomeadamente a pedra”. Defende, por isso, a necessidade de a Câmara Municipal “servir de ligação” entre os agricultores e a Secretaria Regional da Agricultura, no sentido de ajudarem os agricultores a se candidatarem aos referidos apoios financeiros. “O valor da nossa paisagem e a sua preservação inequívoca não podem ceder a modernices ou caprichos individuais, pois são um bem coletivo”, salienta. No mesmo documento, Amílcar Figueira, com base em informação da Valorpneu (empresa nacional que em 2002 criou o Sistema Integrado de Pneus Usados) diz que a cada 10 anos a borracha reaproveitada pela reciclagem de pneus usados evita a extração de quatro milhões de seringueiras, a chamada árvore da borracha. “É do senso comum que a reciclagem de pneus é benéfica para o ambiente, faz bem ao planeta, à nossa saúde e, naturalmente, a cada um de nós, além de evitar o desgaste de árvores e a poluição do meio ambiente”, defende.